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Lançamentos de antologia poética e livro sobre pajelança são destaques
07/12/2021

Declamação de poesias com apresentação de balé e muita emoção marcaram o lançamento da “Antologia Poética do Prêmio Dalcídio Jurandir e Poemas Complementares”, com a presença dos quatro autores premiados no edital público literário lançado pela Imprensa Oficial do Estado, em 2019. O evento ocorreu na 24ª Edição Feira do Livro Pan-Amazônica e das Multivozes.

 

Após recitar a poesia ganhadora [sem mais, adeus!], o poeta e professor especialista em Amazônia e Língua Portuguesa, Igor Barbosa Marques, de Benevides, representando a região do Guajará, disse se sentir privilegiado com a premiação. “É a primeira vez que participo do concurso e fico muito feliz. Dentre tantos que se inscreveram, somente quatro foram contemplados”, festejou ele, que foi contemplado com duas poesias no livro.

 

A poesia ganhadora aborda uma decepção amorosa às margens de Baía do Guajará, retratando o clima amazônico e as peculiaridades de Belém e região, no qual o autor enfatiza a importância de elementos naturais no fazer poético.

 

Inspiração - “Eu me inspirei na obra do Manoel Bandeira chamada “Meu Porquinho da Índia” e estou muito satisfeita por ganhar mais um prêmio, pois estar entre as quatro poesias premiadas, com apenas duas mulheres, em um edital que selecionou poesias do Pará inteiro, é motivo para ser comemorado”, disse Nathalia da Costa Cruz, a autora da poesia “Cobaia”, outra ganhadora da região de integração Guajará.

 

Nathália nasceu em Castanhal, mas mora em Ananindeua. É professora e doutora em Letras e já tem três livros de poemas publicados, sendo dois frutos de premiações, “H” e “À Trois”, e a edição bilingue “Madalena, Magdalena”.

 

A professora, escritora, poeta e cordelista Maria de Fátima Araújo Teles também foi premiada pela região do Araguaia, com a poesia "O Boi Pavulagem", que poetisa em linguagem de cordel a história de uma das manifestações culturais mais populares do Pará e do norte do Brasil.

 

O autor da poesia "Somos Terra, Somos Água, Somos Vida", premiada pela quinta vez, disse ser uma grande  satisfação ser agraciado com "o prêmio mais importante da literatura do estado do Pará, mostrando que o interior tem representação na poesia, inclusive na região de Carajás que tem uma produção grandiosa", disse Albertin di Carmelita.

 

Segundo o coordenador da Editora Pública Dalcídio, Moisés Alves, a antologia é resultado do primeiro edital público literário da Ioepa, lançado em 2019, para as categorias prosa e poesia. "Houve muitas inscrições para a categoria poesia, de todos as regiões de integração do estado, mas tivemos um juri criterioso que selecionou apenas quatro autores nesta primeira edição".

 

Além das poesias premiadas, a "Antologia Poética..." é composta por poesias complementadas de dez poetas paraenses, entre homens e mulheres que foram selecionados pelo movimento literário da Universidade Federal do Pará (UFPA). São eles: Andreev Veiga; Cláudia Vidal; Heliana Barriga; Jonathas Santana; Laura Nogueira; Mayara La-Roque; Ney Paiva; Renato Gusmão, Rita Melém e Roseli Souza.

 

Pajé Zé Piranha -  O lançamento da biografia “Pajé Zé Piranha” – Histórias de cura e encantaria no Marajó”, de  Max Silva do Espírito Santo e Ailton Silva Favacho, foi um dos momentos marcantes no último dia de atividades no estande da Imprensa Oficial do Estado do Pará (Ioepa), no domingo (05), durante a realização da 24ª Feira Pan-Amazônica do Livro, na Arena Guilherme Paraense, o Mangueirinho.

 

Os autores Max Silva do Espírito Santo e Ailton Silva Favacho autografaram os exemplares impressos pela Editora Pública Dalcídio Jurandir Ioepa, em uma concorrida tarde de autógrafos no estande da Ioepa. 

 

O professor e neto do pajé Zé Piranha, Max Espírito Santo, contou que tinha 14 anos quando o avô morreu e que ainda não entendia a importância da missão do pajé. Apenas quando se tornou professor ele entendeu o legado do avô e percebeu que tinha uma missão e uma obrigação em resgatar a memória do pajé. “Eu tinha uma obrigação em divulgar o trabalho do meu avô para que as pessoas não se esquecessem completamente dele e para que outros conhecessem tudo o que ele fez”, disse Max do espírito Santo. Ele ressaltou ainda a parceria com Ailton Favacho na feitura do livro. “Sem ele essa obra não teria sido feita”, disse Max.

Ailton Favacho informou que o livro possui 19 narrativas contadas por 35 pessoas que tiveram contato com a pajelança de Zé Piranha. “Os relatos muitas vezes dão conta de que várias pessoas estavam desenganadas pelos médicos, mas que foram salvas pelo pajé Zé Piranha”, relatou Favacho.

 

O livro foi um dos sucessos de venda da editora mesmo antes do lançamento na Feira do Livro devido ao interesse despertado na população marajoara. A obra já teve um lançamento no arquipélago do Marajó e terá ainda outros dois lançamentos: mais um no Marajó, no próximo dia 18 de dezembro; e outro na cidade de Macapá, capital do Amapá, em janeiro de 2022.

 

Magia e religiosidade - Para Jorge Panzera, presidente da Ioepa, as páginas da obra estão cheias de magia e religiosidade acerca da pajelança marajoara. “A cultura da pajelança no arquipélago do Marajó é resgatada nesta obra, que traz as histórias das 21 pessoas que tiveram contato em vida com o pajé Zé Piranha. Elas revelam o cotidiano desse homem, falam das manifestações espirituais, visões e curas feitas pelo pajé nascido no arquipélago marajoara. A Ioepa mais uma vez reafirma seu papel de apoio, fomento e divulgação da literatura e da cultura paraense”, avaliou.

 

José do Espírito Santo, o Zé Piranha, nasceu em 15 de junho de 1921, na Fazenda São José, em Mangueiras, um quilombo em Salvaterra e faleceu em 29 de maio de 1999, aos 78 anos. Aos sete anos de idade, quando morava no quilombo Mucura, já sentia muitos desmaios, o que indicava os primeiros sinais do dom da pajelança. Mais velho e já muito incomodado com a presença cada vez maior da pajelança na sua vida, decidiu que iria morar em Soure por acreditar que naquela cidade a polícia iria “prender” os guias (encantados) que o acompanhavam.

 

O trabalho de construção das memórias do pajé Zé Piranha teve início em setembro de 2019, quando o professor Max Silva do Espírito Santo decidiu escrever o livro. Todas as pesquisas e entrevistas foram divididas com o escritor Ailton Silva Favacho, responsável também pelas apresentações dos personagens na literatura de cordel, que enriquecem a história de vida do pajé Zé Piranha. “Nós, da Ioepa, temos a satisfação de participado do processo de criação dessa história e mostrar ao mundo o valor de uma pessoa como Zé Piranha”, avaliou Moisés Alves, editor e coordenador da editora da Ioepa. Moisés Alves ressaltou que o livro foi um dos sucessos de venda da Feira do Livro deste ano.

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